Prevenção de Pulgas e Carrapatos em Cães: o Guia Completo
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Pulgas e carrapatos não são só incômodo de pele — são vetores de doenças que podem matar um cão em poucos dias se não tratadas a tempo. No Brasil, clima quente e úmido na maior parte do ano mantém esses parasitas ativos o ano inteiro, não só no verão. Prevenção contínua, não sazonal, é a regra.
Pulgas x carrapatos: o que cada um transmite
| Parasita | Espécie/tipo comum no Brasil | Principal risco ao cão | Ciclo de vida |
|---|---|---|---|
| Pulga | Ctenocephalides felis (pulga do gato, a mais comum em cães também) | Dermatite Alérgica à Picada de Pulga (DAPP); pode transmitir a tênia Dipylidium caninum | ~3 a 4 semanas — ovo, larva, pupa, adulto. 95% da infestação vive no ambiente, não no cão |
| Carrapato-marrom | Rhipicephalus sanguineus — típico de ambiente urbano e periurbano | Erliquiose, babesiose e anaplasmose canina | Sobrevive meses no ambiente em forma de ovo ou ninfa |
| Carrapato-estrela | Amblyomma cajennense — áreas rurais, mata, contato com fauna silvestre | Febre maculosa — zoonose que também afeta o dono | 3 hospedeiros ao longo da vida; mais comum em área rural do Sudeste |
O que cada parasita causa no organismo
Pulgas e DAPP
A Dermatite Alérgica à Picada de Pulga é uma reação à saliva da pulga, não à picada em si — basta uma picada para desencadear coceira intensa em cão sensibilizado. Apenas 5% da população de pulgas vive no cão; o resto (ovos, larvas, pupas) está no ambiente: tapetes, sofás, quintal.
- Tratar o cão sem tratar o ambiente não resolve a infestação
- Todos os cães e gatos da casa precisam de prevenção, não só o que coça
Erliquiose e babesiose
Transmitidas pelo carrapato-marrom, comum em qualquer cidade brasileira. A erliquiose ataca glóbulos brancos e pode ser fatal se não tratada; a babesiose destrói glóbulos vermelhos e causa anemia grave.
- Sintomas costumam aparecer 1 a 3 semanas após a picada
- Diagnóstico precoce por exame de sangue muda o prognóstico
Febre maculosa
Transmitida pelo carrapato-estrela, mais comum em área rural e de mata — mas com registros em zonas urbanas também. É uma zoonose: o carrapato infectado pode picar o dono diretamente, não há contágio entre cão e humano.
- Risco maior em contato com capivaras, cavalos e gado
- Doença considerada grave — atenção redobrada em viagens ao campo
Controle ambiental
Sem controle do ambiente, o ciclo do parasita nunca é interrompido — a maior parte da população de pulgas e ovos de carrapato está fora do cão.
- Aspirar tapetes, sofás e cama do cão regularmente
- Lavar roupa de cama do cão com água quente semanalmente
- Manter quintal roçado — carrapatos vivem em grama alta e vegetação
Protocolo de prevenção
Existem várias classes de produtos antiparasitários no mercado — coleiras, pipetas tópicas, comprimidos orais e sprays. A escolha do produto e a frequência de aplicação são decisão do veterinário, considerando peso, idade, região onde o cão vive e nível de exposição (urbano x rural). O Instinto Canino não recomenda modo de uso de produto específico — siga sempre a bula e a orientação veterinária.
- Prevenção contínua o ano todo — não só em época de calor
- Reaplicação na data certa, sem atraso — é o principal motivo de falha de proteção
- Inspeção manual do pelo após passeios em mato, grama alta ou parques
- Atenção redobrada em viagens a áreas rurais ou de mata
- Tratar todos os animais da casa, não só o que apresenta sintomas
Sinais que exigem consulta veterinária imediata
- Febre, apatia ou recusa alimentar após picada de carrapato
- Gengivas pálidas ou amareladas
- Urina escura, cor de “café” ou com sangue
- Sangramentos, petéquias (pontinhos vermelhos na pele) ou hematomas sem causa aparente
- Dor articular ou claudicação sem histórico de trauma
- Coceira intensa e persistente com perda de pelo em região de dorso ou base da cauda
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