PET South America 2026 — visitantes em frente ao letreiro da feira no Distrito Anhembi São Paulo

PET South America 2026: o que a maior feira pet da América Latina revela sobre o futuro do mercado – e do comedouro do seu cachorro

Notícias & Tendências
Instinto Canino  ·  Agosto de 2026  ·  Fontes: petsa.com.br, NürnbergMesse Brasil, Pet Conecta Digital, Abinpet

A PET South America 2026 acontece de 12 a 14 de agosto no Distrito Anhembi, em São Paulo, e completa 25 anos como a maior feira pet da América Latina. O Instinto Canino não cobre feira de negócios como objeto em si — cobre o que ela revela. O que passa pelo Anhembi em agosto chega às prateleiras e ao comedouro do cachorro nos meses seguintes. E 2026 traz sinais concretos: insetos como proteína, probióticos na formulação, trauma canino sendo debatido por profissionais de comportamento — e uma fusão bilionária que vai reduzir a concorrência entre as duas maiores redes pet do país.

⚠️ Evento em andamento. Informações de programação e inscrição podem ser alteradas sem aviso. Confirme os dados atualizados em petsa.com.br e no Instagram @petsouthamerica.

PET South America 2026 — feira pet Distrito Anhembi São Paulo
O Distrito Anhembi recebe a 25ª edição da PET South America — a maior concentração anual do mercado pet da América Latina. Foto: [Banco]

25 anos sendo a cara do mercado: o que é a PET South America 2026

A PET South America (PETSA) é uma feira de negócios B2B — o que significa que seu público primário são fornecedores, fabricantes, distribuidores, varejistas e profissionais do setor, não o dono de cachorro. Por que então o Instinto Canino a cobre? Porque o que se debate e se lança numa feira assim determina o que vai aparecer nas prateleiras brasileiras nos doze meses seguintes.

A cadeia funciona assim: a Interzoo, realizada em Nuremberg, na Alemanha, a cada dois anos, é a maior feira pet do mundo e o termômetro global das tendências. O que estreia na Interzoo chega ao Brasil pela PETSA, que traduz o mercado internacional para a realidade do segundo maior mercado pet do planeta — posto que o Brasil ocupa hoje, atrás apenas dos Estados Unidos. O que a PETSA valida chega às gôndolas da União Pet, dos pet shops independentes e, eventualmente, ao comedouro do seu cachorro.

A 25ª edição é organizada pela NürnbergMesse Brasil, subsidiária do Grupo NürnbergMesse — um dos quinze maiores organizadores de feiras do mundo, com mais de 120 eventos internacionais anuais e presença em seis países. O apoio internacional da Interzoo é explicitado no material da edição de 2026, sinalizando alinhamento direto entre as tendências globais que circularam em Nuremberg e o que será debatido no Anhembi.

Data
12 a 14 de agosto de 2026
Local
Distrito Anhembi, São Paulo
Horário
Das 11h às 20h
Edição
25ª — 25 anos de feira

Credencial de visitante para a PET South America 2026 disponível no site oficial. O acesso é profissional — não é exposição canina aberta ao público geral.

Credencial de visitante — petsa.com.br

Petfood Fórum Brasil 2026: onde a alimentação do seu cachorro é debatida um ano antes de chegar à prateleira

O evento paralelo mais relevante para quem acompanha nutrição canina com seriedade é o Petfood Fórum Brasil, realizado no dia 13 de agosto, das 10h às 17h, dentro do próprio Distrito Anhembi. Organizado pela Watt Global Media — referência global em conteúdo para a indústria de nutrição animal —, o fórum reúne formuladores, pesquisadores, especialistas em ingredientes e executivos da indústria para debater o que ainda não chegou às prateleiras.

A programação de 2026 é densa e editorialmente reveladora. Cinco temas dominam, e o dono de cachorro que entende o que está sendo discutido leva vantagem na hora de avaliar o que compra.

Petfood Fórum Brasil 2026 — Programação confirmada (13 de agosto)
11h–12h Pet shops independentes: o núcleo do mercado pet brasileiro Rodrigo Albuquerque — CEO da Petland Brasil
12h–13h Atualização sobre o mercado brasileiro de pet food: tendências e perspectivas Iván Franco — fundador da Triplethree International Market Research
14h–15h Avanços no uso de probióticos em alimentos para pets Ananda Portella Félix — médica-veterinária, pesquisadora e professora, UFPR
15h–16h Prevenção de contaminações críticas em fábricas de pet food: gestão de riscos e estratégias modernas Especialista da Global Food Safety Brasil
16h–17h O futuro dos ingredientes em pet food: muito além da proteína Ally Motta — Senior Product and Application Specialist, MicroHarvest

Três sinais editoriais merecem atenção específica nessa grade:

Probióticos como ingrediente funcional. A palestra da Profa. Ananda Portella Félix (UFPR — Universidade Federal do Paraná) sobre probióticos na nutrição pet não é uma novidade de prateleira — é pesquisa aplicada chegando ao processo de formulação. O que as boas pesquisas sobre microbioma intestinal canino vêm indicando já há alguns anos começa a aparecer dentro das fórmulas, não apenas como suplemento avulso. Para o dono que acompanha nossa cobertura de longevidade canina, saúde intestinal e probióticos são dois lados da mesma equação.

O futuro dos ingredientes — insetos e sustentabilidade. A última palestra do dia, com Ally Motta da MicroHarvest, é o sinal mais claro de para onde a formulação de pet food está caminhando. A MicroHarvest é uma empresa de biotecnologia que produz proteína de precisão a partir de fermentação microbiana — o que na prática significa proteínas funcionais com pegada ambiental dramaticamente menor do que a proteína animal convencional. Insetos, proteínas de precisão, leveduras funcionais: o debate deixou de ser “se” e virou “quando” e “como” no rótulo.

Contexto técnico — Ingredientes alternativos em pet food
Por que insetos e proteínas de precisão estão entrando na pauta de formulação

Proteína de insetos — especialmente de Hermetia illucens (mosca-soldado-negra) — tem perfil aminoacídico completo, alta digestibilidade e é produzida com fração mínima de terra, água e emissões comparada à proteína bovina ou de frango. Na Europa, já há rações comerciais com inseto como fonte proteica principal aprovadas pela EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos). No Brasil, a regulação pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) ainda está em fase de discussão técnica — o que torna a presença do tema no Petfood Fórum 2026 um indicador de que a indústria brasileira está se preparando para a janela regulatória.

Proteínas de precisão, por sua vez, são produzidas por fermentação microbiana — sem abate, sem criação extensiva. O perfil nutricional é controlável na origem, o que abre possibilidades para formulações funcionais voltadas a condições específicas (renal, gastrointestinal, oncológica) com muito mais precisão do que a formulação convencional permite.

Segurança alimentar como pauta estratégica. A palestra sobre prevenção de contaminações em fábricas de pet food é o tipo de conteúdo que raramente chega ao dono — mas deveria. Contaminação por Salmonella, micotoxinas e metais pesados em rações ultraprocessadas é um problema documentado globalmente. Quando especialistas em segurança de alimentos são convidados a falar numa das maiores feiras pet do país, é sinal de que o setor reconhece o problema — e de que a pressão do consumidor informado está funcionando.

Inscrições para o Petfood Fórum Brasil 2026 pelo Sympla. A inscrição inclui acesso à feira PETSA e ao PET VET Expo nos três dias, além de café da manhã, almoço e happy hour.

Inscrever-se no Petfood Fórum Brasil — Sympla

Pet Comportamento: o mercado que finalmente descobriu que cão tem mente

O Pet Comportamento é o segundo grande evento paralelo da PETSA com relevância direta para o dono de cachorro — porque o que os profissionais de comportamento aprendem nesses encontros determina a qualidade do serviço que você vai encontrar no mercado nos próximos anos.

A grade de 2026 é explícita sobre os temas centrais do momento: enriquecimento ambiental, compreensão do trauma em cães, convivência multiespécie, avaliação comportamental e bem-estar felino. O Pet Comportamento acontece nos três dias do evento, das 9h às 13h, com foco em adestradores, pet sitters, administradores de creches e profissionais que trabalham diretamente com o animal.

Por que isso importa para o dono que não é profissional? Porque o comportamentalista que você contrata para um cão reativo, ansioso ou com medo de trovão é formado por exatamente esse tipo de conteúdo. A atualização profissional em comportamento canino baseado em evidência — abandono da teoria do “cão alfa dominante”, adoção de protocolos de dessensibilização e contracondicionamento, uso ético e contextualizado das ferramentas de manejo — não acontece de forma automática. Acontece em cursos, congressos e encontros como esse.

Golden Retriever e Labradores com equipamentos em frente ao letreiro da PET South America 2026 — comportamento e vínculo canino
Cães em trabalho na PET South America 2026 — o comportamento canino deixou os consultórios e chegou ao piso da maior feira pet do país. Foto: NürnbergMesse Brasil / PETSA

Um sinal concreto dessa mudança de mentalidade dentro da própria PETSA: a CBKC (Confederação Brasileira de Cinofilia) e o CNA (Conselho Nacional de Adestramento) levarão ao evento demonstrações da Gincana Pet — uma atividade que mostra como brincadeiras e desafios estruturados fortalecem o vínculo entre cão e dono. A iniciativa trabalha comunicação, confiança e convivência harmoniosa dentro de uma lógica de posse responsável.

Por que isso importa além da demonstração? Quando a CBKC — a principal autoridade cinófila do Brasil — leva vínculo por brincadeira para o piso de uma feira de negócios B2B, está sinalizando ao mercado que educação canina não é mais sinônimo de obediência por comando. É um posicionamento institucional que vai influenciar o que os profissionais formados por esse ecossistema oferecem nos próximos anos. O Instinto Canino acompanha esse debate na nossa série sobre comportamento canino baseado em ciência.

Ingressos do Pet Comportamento disponíveis no Sympla. 1 dia: R$ 250 · 2 dias: R$ 340 · 3 dias: R$ 465. Inclui acesso à feira PETSA e ao PET VET Expo.

Inscrever-se no Pet Comportamento — Sympla

União Pet: o que a fusão Petz + Cobasi muda para o dono de cachorro

O elefante no Anhembi chama-se União Pet. A nova empresa formada pela fusão entre Petz e Cobasi — listada na B3 após a conclusão do processo de consolidação — entra em sua primeira PETSA como a maior rede de varejo pet do Brasil, sem concorrente direto de escala equivalente no segmento especializado.

O impacto para o dono não é abstrato. Petz e Cobasi disputavam clientes nas mesmas cidades, muitas vezes na mesma rua. Essa concorrência produzia efeitos práticos: promoções para atrair o cliente do concorrente, diversidade de portfólio para oferecer diferenciação, pressão de preço que beneficiava o consumidor final. Com a fusão, esses mecanismos deixam de existir na relação entre as duas marcas.

O que muda na prática: menos pressão de preço no varejo especializado de grande porte, maior padronização de portfólio (o que pode significar menos espaço para marcas menores e independentes nas gôndolas), e maior poder de negociação da União Pet com fabricantes — o que tende a beneficiar as marcas com maior volume, não necessariamente as com melhor formulação. Para o dono que usa a concorrência entre redes para pesquisar preço e disponibilidade, o instrumento mudou.

Há um outro lado, menos imediato mas relevante: uma empresa de maior escala tem mais capacidade de investir em rastreabilidade de ingredientes, sistemas de controle de qualidade e logística de refrigeração para produtos frescos — demandas que o mercado de alimentos funcionais e minimamente processados coloca. O potencial está lá; se vai se traduzir em benefício para o consumidor final depende de escolhas de gestão que ainda estão sendo feitas.

O Instinto Canino não tem relação comercial com nenhuma rede varejista. Não somos parceiros de mídia de Petz, Cobasi, União Pet ou de qualquer distribuidor pet. Avaliamos produto e tendência sem conflito de interesse — e é exatamente por isso que conseguimos dizer o que a maioria dos portais pet brasileiros não diz sobre uma fusão que muda a estrutura do mercado onde você compra a ração do seu cachorro.

O que esperar nos comedouros e prateleiras nos próximos 12 meses

Com base no que circula nas grandes feiras internacionais e chega ao Brasil via PETSA, cinco tendências têm sinalização clara para os próximos doze meses:

Alimentação
Expansão dos alimentos frescos e minimamente processados. O debate sobre ultraprocessados na alimentação canina — que o Instinto Canino acompanha de perto em nosso artigo sobre nutrição canina — está chegando ao varejo na forma de produtos: freeze-dried, air-dried, cru congelado, kits de alimentação natural. A indústria brasileira está respondendo à demanda do dono informado com mais opções nesse espectro.
Ingredientes
Proteínas alternativas entrando no radar regulatório. Insetos, proteínas de precisão e fontes vegetais funcionais começam a aparecer em formulações nacionais — ainda em escala pequena, mas com a indústria já se posicionando para quando a regulação do MAPA avançar. O consumidor que lê rótulos vai começar a ver nomes novos nos ingredientes.
Saúde
Tecnologia de monitoramento acessível. Wearables com sensores de frequência cardíaca e respiratória, aplicativos de saúde integrados ao histórico veterinário e diagnóstico assistido por inteligência artificial estão deixando o nicho e entrando na conversa do mercado mainstream brasileiro. Ainda importados e caros — mas a curva de preço desce.
Comportamento
Enriquecimento ambiental como categoria de produto. Brinquedos cognitivos, puzzles de alimentação, kits de nose work e estruturas de enriquecimento para cães de apartamento deixaram de ser item de nicho importado e passam a ter produção e distribuição nacional. A demanda do dono urbano está criando o mercado.
Serviços
Telemedicina veterinária e assinatura de cuidados. Modelos de assinatura para banho e tosa, planos de saúde veterinária e consultas online por telemedicina estão em fase de consolidação no Brasil. A pandemia acelerou a digitalização do cuidado com animais — e o mercado está amadurecendo o modelo de negócio.

Informações práticas: como participar da PET South America 2026

A PETSA é primariamente uma feira de negócios — o acesso é profissional, não é exposição canina aberta ao público geral. Mas qualquer pessoa com interesse legítimo no mercado pet pode se credenciar como visitante pelo site oficial. Os eventos paralelos têm inscrição separada e são abertos a profissionais e interessados com ingresso.

Feira principal — PETSA
12, 13 e 14 de agosto · 11h–20h · credencial em petsa.com.br
Petfood Fórum Brasil
13 de agosto · 10h–17h · inscrição via Sympla
Pet Comportamento
12, 13 e 14 de agosto · 9h–13h · R$ 250–R$ 465 via Sympla
Endereço
Distrito Anhembi — Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana, São Paulo

Acesso e inscrições pelos links oficiais abaixo. O Instinto Canino não tem relação comercial com o evento — esses links são informativos.

Credencial PETSA Petfood Fórum Brasil Pet Comportamento
Fontes e referências